Capitão da areia


Confesso que já estava entre os lençóis, quando chegaste. Ao ouvido, cantaste-me esta canção e acordaste-me de um sono que pensava profundo. Recordaste-me as histórias, os sorrisos, o comprometimento. Deixaste-me assim. De sorriso rasgado e de lágrima no canto do olho. Vieste matar-me as saudades. E que saudades!
Tantas foram as vezes que me embalaste, da mesma forma que hoje o fazes. Sei-te longe. Mas ao mesmo tempo, tão perto. Nas tuas histórias fui sempre o capitão da areia e o pirata de alto mar. Fui sempre o gigante. O super-homem. O teu herói. E eu, pedia-te mais uma história, uma atrás da outra, como aquela que hoje me contas ao ouvido. Agora, a estrela és tu. A que me guia e me embala nesta viagem.
Posso-te contar um segredo? Estava mesmo a precisar de ti. De te sentir. Agora vou-te levar no meu sono e adormecer tranquilo e reconfortado, enquanto voltas para o teu lugar. Aqui, ao lado. No meu peito. Obrigado.

C

Ai Jesus