Num dia finjo-me preparado, no outro carrego a esperança que sei não haver. Num dia finjo um sorriso, no outro choro por te ver partir. Gostava de te dizer tantas coisas, talvez as mesmas que dizes com esse olhar vidrado. Custa-me ver-te sofrer, custa-me saber que sofres, custa-me muito saber que vês a vida escorregar-te pelas mãos.
Sabes, ando sem vontade de fazer nada. Irrito-me com tudo e não tenho paciência para nada. Talvez só tenha mesmo vontade de te olhar e de te segurar a mão. Cada dia que passa deveria ser de habituação mas é, afinal, de sofrimento maior. Penitencio-me por ser egoísta. Porque, mesmo vendo-te sofrer, não sou capaz de dizer o que outros dizem. Prefiro continuar a pensar que contornarás a improbabilidade e que te continuarei a ter perto de mim.