Como já li em qualquer lado e com alguma graça, é de facto uma falácia perguntar-se à população portuguesa se concorda ou não com o casamento entre homossexuais, até porque o mesmo já é permitido. Não pode um homem homossexual afinal de contas casar-se com uma mulher homossexual?
Mas reportando-me apenas à questão que vai estando na "berra" nos últimos dias, é de facto curiosa a tentativa dos partidos com maiores hipóteses de governação fugirem ao tema. Apenas e só por motivos estratégicos sem no entanto se preocuparem em eliminar as discriminações e as hipocrisias que vão reinando neste cantinho à beira mar plantado.
O PS estrategicamente fugiu com o "rabo à seringa" e não está interessado em trazer para a baila, a um ano das legislativas um tema fracturante. O PSD, por sua vez, e também por questões ideológicas de base, mantém-se sem posição e quando mostra alguma abertura para debater o tema, atira para o ar a ideia de um possível referendo. Referendar a legalização de um casamento civil não deixa de ser uma ideia patética.
Esta noite, Marques Mendes, por exemplo, disse está espantado por este tema ter sido lançado porque na sua opinião há assuntos bem mais graves e urgentes a resolver. É verdade que os há. Mas também não é menos verdade que esta é mais uma posição hipócrita de quem não tem coragem de ter opinião. Todos respeitam, mas todos evitam falar no assunto e vão atirando para canto questões de liberdade pessoal.
E porquê? Porque as "minorias" ainda não têm peso suficiente para decidir eleições...