
É talvez a parte do dia que mais gozo me dá. Conduzir. Falar comigo e com ele, cantar para mim e para ele. O carro. Esse companheiro de viagens, longas, curtas, demoradas ou rápidas. Dou por mim a pensar que grande parte da minha vida é passada nele. Neste ou noutro. No anterior, no novo ou no seguinte. Tanto sabe ele da minha vida, às vezes até mais do que eu. Depois de mais um dia de trabalho, cansativo, lá vou eu. Pé no acelerador e a estranha convicção de que entro num pedaço de mim, onde recrio um mundo só meu. Ora tentando ser o que não sou, ora suspirando por quem amo ou simplesmente deixando que aquele momento com a música bem alta e muito asfalto para "correr" seja o mais relaxante possível. Chegados ao destino, uma certeza. Amanhã há mais. Mais quilómetros para percorrer, enquanto a OPEP permitir... e mais conversas para termos os dois, numa espécie de diálogo (?!) "esquizofrénico"...
P.S. Hoje, apetecia-me fugir contigo... nele. Para um mundo só nosso, um em que pudéssemos estar sempre juntos. Mas, enquanto esse mundo não existe, acho que mais vale aproveitar bem este.