Circo de Feras

Os Xutos e Pontapés comemoram 20 anos do lançamento de um dos álbuns - "Circo de Feras" - mais importantes da carreira do grupo. Hoje ouvi a música e resolvi colocá-la aqui. Se há letra que encaixa, esta é uma delas:




"A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Enconde-se à espreita

Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

(Refrão)
Enquanto esperavas no fundo da rua
Pensava em ti e em que sorte era a tua
Quero-te tanto...(quero-te tanto)
Quero-te tanto...(quero-te tanto)"

Às voltas

Definitivamente a minha vida tem andado de pernas para o ar nos últimos tempos e o chorrilho de emoções parece querer perseguir-me. Hoje, sinto a minha cabeça a dar voltas e a não encontrar um caminho.

Sinto o meu coração mais frágil do que o habitual, e sem cura para o constante sangramento. Sinto-me incapaz de decidir o que quer que seja e o pouco que tenho a certeza sei bem que em nada me pode ajudar. Nuns dias finto a tristeza mas noutros, ela parece voltar e para ficar. É nesses dias que sinto falta de tudo e de todos. Que sinto falta do tal abraço. É nesses dias que arrancarem-me um sorriso não é nada fácil.

Encarando a vida como um jogo, estaria na altura de lançar de novo o dado e partir para um caminho diferente. Mas se errar uma vez ainda se pode aceitar, errar duas já parece masoquismo. Estarei eu pronto para voltar a lançar um dado que não sei para onde me irá mandar? Se ao menos pudesse dar um salto ao futuro e perceber o que tenho afinal de fazer para que este vazio termine... Mas por hora, cá estou. Confuso e triste. Infelizmente como já vem sendo habitual.

No meio disto tudo, dou-me por feliz de poder dizer que tenho amigos (mesmo amigos). Muito poucos mas bons. Daqueles com quem já seria impossível não conviver. Daqueles que sei, que quaisquer que sejam as minhas decisões, estarão por aí. Aqueles para quem ainda consigo sorrir. Apesar de por vezes não poderem, por partidas do destino, serem aquilo com que um dia sonhamos.

Já agora e para terminar, nada melhor do que chegar a casa e receber de entre sorrisos um «olá “padinho”, tás bom?». Só ele para me fazer sorrir. Sim, confesso, sou um padrinho babado e adoro o meu puto :).

Para descontrair II

Continuando na senda. Aqui fica mais um "áudio" engraçado, desta vez com o "Special One" como destaque principal. Para ouvir e rir :).

Para descontrair...

Esta é uma versão alternativa da música de Rhianna que tanto sucesso tem tido, dada a conhecer no programa da manhã da Rádio Comercial, com Pedro Ribeiro, Vasco Palmeirim e Vanda Miranda. Aqui fica, um momento de boa disposição:


A Lua

Hoje estava especialmente bonita. Cheia. Imensa. Apaixonante. Da janela do carro apreciava-a e só queria que estivesses comigo a vê-la. Que vontade de a tocar. Que vontade de ir até ao seu encontro. Há dias assim. Com Luas lindas das quais não conseguimos afastar o olhar. São esses momentos que me vão preenchendo e que vão afastando tristezas. Hoje a Lua foi a minha fonte de energia, tal como o mar o é habitualmente. Hoje, foi nela que procurei as forças que me faltam e os sorrisos que escasseiam. Obrigado Dona Lua. Fico-te a dever uma!

Va lá querida(o), é pela tua saúde...

Quantos homens não começarão a dizer isto às suas respectivas? Mas atenção, nem só as mulheres podem ter cancro da mama, o que significa que neste caso, bem se pode dizer... "o homem tem a solução ali mesmo à mão".

Para ler, aqui.

No teu poema...

Esta é uma das músicas mais bonitas que alguma vez tive o prazer de ouvir uma tuna tocar. Esta é uma música que me traz grandes recordações e que, hoje, num dia mais triste, não me canso de ouvir. Vou ter saudades.





No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
um canto em vozes juntas, vozes certas
canção de uma só letra e um só destino a embargar
um cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do mundo,
existe tudo o mais que ainda me escapa
e um verso em branco à espera do futuro.

Pecado

Não haverá maior que magoar quem se quer bem. Não haverá maior do que entristecer ou desiludir, as pessoas mais importantes para nós. Não haverá maior do que, quando nos magoam respondermos com atitudes que possam magoar os outros. Não haverá maior do que, por um momento que seja, contristar quem não queremos perder. Não haverá maior do que responder a palavras que nos põe triste, com actos infantis. Não haverá pecado maior, do que magoar o nosso melhor amigo, ainda que sem intenção. Nessas alturas, só resta pedir desculpa e esperar que uma só atitude não possa melindrar uma grande amizade. Ok, amigo?

Barco negro...

De Manhã, que medo
Que me achasses feia(o)!
Acordei, tremendo
Deitada(o) na areia...
Mas logo os teus olhos
Disseram que não
E o sol penetrou
no meu coração

Vi depois numa rocha, uma cruz
E o teu barco negro
Dançava na luz...
Vi teu braço acenando,
Entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas
São loucas!
São loucas!
Eu sei meu amor:
Nem chegaste a partir
Tudo, em meu redor,
Me diz que estás sempre comigo.

No vento que lança
Areia nos vidros;
Na água que canta;
No fogo mortiço;
No calor do leito;
Nos bancos vazios;
No meu próprio peito
estás sempre comigo


David Mourão-Ferreira

Saudade


"Quem inventou a distância, não sabia o que era a saudade"

Se por outra razão não fosse português, pelo menos por esta teria de o ser. Tenho saudade de tudo, vivo com eterna saudade de todos e de todos os momentos. Saudades dos amigos, dos
amores, das conversas ou da felicidade. Saudade do passado que me ajudou a ser o que sou hoje. Saudade de ser o que nunca fui, sem também nunca o deixar de ter sido. Saudade de cada minuto que passou, saudade de cada abraço, de cada beijo ou de cada sinal. Saudade de cada gargalhada ou riso contido. Saudade das lágrimas vertidas por amor ou por causa da dor. Saudade da pessoa que mais admirava e que não me viu crescer. Saudade de quem um dia deixarei para trás. Saudade dos tempos em que te tive. Dos tempos em que, pelo menos alguma parte da tua vida, foi minha. Do que jamais terei saudade é dos tempos em que tinha saudade, porque tê-la-ei sempre e a cada instante. Tal como a palavra, também tu continuas sem tradução...

Late Summer

Um fotógrafo relembra um verão especial que passou com seu primo mais velho. Os sentimentos despertados e o inesperado desfecho dos acontecimentos, escondidos por trás de sua melhor foto.




Disparates

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É uma figura incontornável do século XX e um dos principais impulsionadores da Biologia e da Medicina. Chama-se James Watson e foi o co-responsável pela descoberta da estrutura molecular do ADN, tendo sido prémio Nobel da Medicina em 1962 Mas não há dúvida que Watson (79 anos), já não caminha para novo e vai-nos habituando a algumas declarações polémicas.

Depois de em 1997 ter, em entrevista ao "The Telegraph", afirmado que "se um dia se descobrisse que a homossexualidade está gravada nos genes, então as mães de bebés com esses genes deveriam ter o direito de abortar". E que agora vem dizer acrescentar"que deviam ter esse direito porque quase todas gostavam um dia de ter netos". Veio agora causar nova polémica em entrevista ao "Sunday Times".

Após os comentários homofóbicos, foi a vez dos comentários racistas. É que, James Watson, defende que geneticamente os negros são menos inteligentes que os brancos. “Toda a nossa política social está baseada no facto da inteligência deles [dos africanos] ser a mesma que a nossa. Mas todas as experiências dizem que não é bem assim”, afirma, para depois acrescentar: “Quem tenha que lidar com empregados negros sabe que isto não é verdade”.

Haja paciência para quem um dia foi tão respeitado.


Música da minha vida...

Continuando na senda do P, que aqui há dias, colocou a sua música de eleição, hoje faço o mesmo. É a música que me lembra dos melhores momentos que passei na minha vida. Uma música lindíssima - ainda que prefira a versão acústica - e que já tive o privilégio de ouvir ao vivo. Bryan Adams no seu melhor, com "Heaven".
Que saudades...


...

Termino o Domingo em lágrimas. Arrependido do que disse. Desesperado por não ser capaz de mudar um sentimento em mim, nem nos outros. Deito-me cedo. Escondo-me debaixo da almofada. Só ela me compreende. Entram no quarto e perguntam se estou doente. Definitivamente deitar-me cedo, não é habitual. Choro. Ouço música e adormeço.
2.30h. O telemóvel toca. Do outro lado, uma amiga desesperada. Tinha acabado de "destruir" o carro, que o pai lhe tinha dado um mês antes. Saio da cama, ainda ensonado e vou a caminho da cidade dela. Está em choque. Trato dos papéis. Chamo o reboque e levo-a a casa. Regresso à minha cidade e volto a dormir.
9.03h. O telemóvel volta a tocar. É o meu chefe aos berros. Discute comigo e muito. Fico sem reacção. Pergunta e responde. Chama-me irresponsável. Marca reunião para a tarde. Eu...nada digo. De novo, só me apetece chorar.
Está visto que a semana não augura nada de bom. A boa notícia? É que se começa assim, dificilmente acabará pior.

Será crime...

... pedir uma a quem se ama?

Gestos

14 de Outubro. É a data de aniversário de um "puto" especial que conheci há uns tempos. Vi este vídeo e lembrei-me de o colocar hoje. Às vezes penso que choramos e sofremos por "pouco", comparando com a sorte que temos. Este é um vídeo absolutamente arrepiante e com enorme simbolismo.


Como esquecer alguém em 5 minutos ou talvez mais um bocadinho

É este o título de um texto do maluco Fernando Alvim. O homem, de facto não parece ter as luas todas, mas estava inspirado quando escreveu no seu http://esperobemquenao.blogspot.com o texto que aqui fica...







Antes de tudo, há que reconhecer que este poderia ser um belo nome para um daqueles livros que as pessoas oferecem umas às outras apenas e só pelo título e que usualmente se encontram em qualquer bomba de gasolina, no corredor do fundo, lado esquerdo, junto aos jornais. Não interessa o autor, nem se alguma vez se leu alguma coisa, nem se os críticos do mil folhas falaram bem, o que importa mesmo, é a mensagem que o título oferece a quem o recebe. E se depois lá dentro, nas páginas que se refugiam na capa, o conteúdo não for grande coisa, isso de nada importa. Entrega-se o livrinho como se estivéssemos a entregar uma senha de papel com uma mensagem, a fazer olhinhos, para a miúda que está na carteira ao lado: “Vai onde te leva o coração!”, “Fazes-me Falta!” “Não há coincidências” e claro o inevitável “Amo-te”.

Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura. Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera.

Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do “Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é limpinho.

O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos pareçam assim tão agradáveis. E quando ela – leia-se o incêndio – aparecer, já só resta terra queimada.


E assim, aproveitando esta bonita analogia dos incêndios, é justo revelar que aqui o grande problema é o vento, o vento que pode reacender as chamas. E esse vento, pode ser uma chamada dela – que ninguém atenda o telefone – uma súbita vontade de lhe ligarmos nós, às 4 da manhã com uma voz notoriamente embriagada – apague-se já o número – ouçam, o vento pode ser uma foto dela ainda no quarto – que se guarde isso numa gaveta escura – uma carta que imbecilmente relemos – perigo, perigo! – Aceitar um convite para jantar a dois sob o pretexto de irmos falar sobre o ambiente no mundo – isso é muito arriscado – ir a casa dela rever a primeira temporada dos Sopranos em dvd – que fique claro, ao aceitarem este convite, isto já nem será vento, mas possivelmente, um tornado.



E assim, voltando à perniciosa técnica do fogo contra fogo, o mais importante, é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo. É dizermos “isto é muito bonito e tal, mas eu tenho que sair daqui antes que se faça tarde” e assim, ao não permitirmos recaídas que sabemos que só irão adiar o inevitável, extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz de as reanimar.

Diferente

... mas excelente.

Sinto falta...

...de nada e de tudo ao mesmo tempo. Este é um daqueles dias em que sinto a falta de um abraço, de um carinho, de uma palavra, de um olhar... Este é um daqueles dias em que dava tudo para estar a olhar para o mar com alguém. Segurando-lhe a mão. Reconfortando-me e reconfortando-o. Rasgando um sorriso. Acorrentando uma alma. Hoje, sinto falta de uma companhia. Sinto falta de ser amado. Sinto falta de tentar fazer alguém feliz por instantes. Hoje, sinto-me mais animal do que homem e ao mesmo tempo, mais homem do que animal. O instinto persegue-me, mas o sentimentalismo não me larga. Basicamente, hoje, sinto falta de ti. Estranho... sentirmos falta de quem nunca tivemos.

Eu sei...

Ando melhor, mais animado. Ainda assim não me canso de ouvir uma das minhas músicas preferidas, da fantástica Sara Tavares - Eu sei.
Ela faz-me lembrar momentos fantásticos da minha, ainda curta, vida. Momentos de verdadeira paixão. Momentos de amor intenso. Momentos que no entanto já lá vão...

Reflexão do dia

"Sinto-me a regredir. Só em bebé, chorava e mamava tanto."

(Depois deste fim-de-semana, só mesmo rindo da desgraça)

...

It's a little bit funny this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live

If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on

So excuse me forgetting but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen

Mente insondável

"Para quê fazer projectos quando sai tudo ao contrário. (...) Quando os Deuses brincam é para magoar."

É assim o refrão de umas das músicas mais notáveis de Jorge Palma. Foi deste refrão que mais me lembrei na noite de ontem, enquanto tentava dormir. A nossa mente é de facto insondável, capaz de criar um verdadeiro turbilhão de emoções, que nem nós conseguimos evitar. É verdade que já disse aqui uma vez que deixei de tentar compreender as pessoas e os seus actos, mas é inevitável emitirmos um juízo de valor ainda para mais quando o erro parece tão óbvio.

À parte disso, ontem escreveram-me uma sms que não posso evitar a transcrever aqui: "O que dói, dói porque achamos que não seremos felizes com mais ninguém. O que é um triste engano. O homem é o homem e a sua circunstância. De igual modo, a paixão é a paixão e a sua circunstância. Sendo impossível vivê-la, há-que abandoná-la e seguir em frente."

É impossível não concordar com isso, mas mais impossível é conseguir convencer o nosso coração disso mesmo. Ele é teimoso e não há dia em que não nos faça chorar. Há momentos em que acordamos com uma disposição tremenda de o contrariar, mas depois verificamos que quer queiramos quer não, é sempre dele a última palavra. Outros há em que só nos apetece gritar ao mundo o que sentimos, ainda que isso não seja capaz de alterar um rumo traçado há muito...

Assim, sou eu

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Álvaro de Campos in Tabacaria

Há dias assim...


Em que se acorda e o apetite para se fazer o que quer que seja não existe. Em que uma simples conversa com um amigo ou colega de trabalho nos irrita. Em que pensamos em tudo e mais alguma coisa e não chegamos a conclusão alguma... Em que a nossa vida parece uma imensa confusão.
Hoje, mais uma vez, sinto-me assim...
Fucking life...

Silêncio

Acordei e irei adormecer assim. Escondido no meu silêncio. Em mais um daqueles dias em que nada parece querer sair da minha boca e nem sequer dos meus dedos. Sinto-me perdido. Não sei bem quem sou hoje, nem onde ficou quem eu era e um dia tive orgulho em ser. Pode ser que me encontre, brevemente, quando me sentir amado e suportado. Por enquanto, vou-me alimentando do meu silêncio ensurdecedor, à espera que deixe de ser mais um e passe a ser um.

Mais um dia...

Acordei triste e revoltado. Comigo e com o mundo. Pela segunda vez, em dois dias. Hoje, não sei porquê, mas o meu corpo quis contrariar os princípios fisiológicos/anatómicos e dói-me o coração. Não sei se sangra, mas não bombeia como queria. Dói mudar o rumo, dói o afastamento ainda que ache que é o melhor caminho.
De manhã, ouvi isto e pensei em ti. Não perguntes porquê. Uma lágrima teimosa resolveu cair. Mas como não sou de dar parte fraca, logo a limpei. Um novo dia ia começar. Talvez o pior fosse isso mesmo. Amanhã vou tentar lembrar-me de te "esquecer"...




Complicadas? Só quem não os conhece a Eles...

Durante largos anos achei, como muitos, que as mulheres eram complicadas. Era porventura daqueles que pensava que todas deveriam nascer com um livro de instruções, tal e qual como quando se adquire um electrodoméstico. Nos últimos tempos descobri que, achar as mulheres complicadas só foi mesmo possível enquanto não me debrucei (sem o sentido erótico do termo) sobre os homens. Pelo menos no caso das mulheres sabia que se dissessem A, queriam que eu fizesse B, ou vice-versa, já com eles, nem sei sequer o que pensam. Ora reservados, ora confusos, ora de meias palavras, levam-me sempre a pensar e imaginar o oposto. E depois, há aqueles inconstantes, que parecem próximos num dia e distantes no outro. Que lançam a cana e quando tu estás prestes a apanhá-la a retiram. Mas uma coisa há de um lado que também há de outro. Há aqueles que sofrem de "encantamento" e que com isso, esquecem tudo o resto. Pior mesmo, só o "resto" continuar lá, para "lamber" as feridas de um "encantamento" que não resulta. Porém, há quem insista em nome de uma amizade. Definitivamente os homens são bem mais difíceis de entender do que as mulheres. Ou, no limite, serão igualmente complicados de perceber. Talvez se a vida fosse mais fácil desse menos gozo, mas pelo menos seria um gozo mais contínuo. Esta olha, às vezes dá orgasmos múltiplos, mas outras vezes, é de uma assexualidade que até mete dó. Mas que o mundo gay ainda é mais estranho que o outro, disso já não tenho dúvidas...